segunda-feira, 16 de março de 2015

0. Apresentação

Chamo-me Paula



Nasci na Vila de Prado


                                                          Vivo em Vila do Conde





I. Desenvolvimento Local e Intervenção Educativa


“A leitura traz ao homem plenitude, o discurso segurança e a escrita exatidão".

Contrato de Aprendizagem

Objetivos
  • Promover a reflexão sobre a dimensão e intervenção local no domínio da educação, num contexto de crescente descentralização da educação.
  • Realçar a natureza multidimensional do conceito de cidadania.
  • Refletir em torno do défice de cidadania observado na sociedade em geral, dando particular relevância à população adulta.
  • Discutir alguns dos grandes temas de cidadania, partindo da análise de instrumentos de política nacional.
  • Capacitar o estudante para uma análise crítica do papel do local, autarquias, comunidade e outras organizações no desenvolvimento local.

Competências:
  • Conheça conceitos e perspetivas teóricas sobre a relação educação/desenvolvimento local.
  • Identifique e caracterize dinâmicas socioeducativas locais.
  • Exerça uma cidadania crítica e construtiva no seu espaço de intervenção.
  • Debata algumas das fragilidades da cidadania da população, associadas a categorias específicas, como o género, a classe, a raça, a orientação sexual, a opção política, o credo religioso, etc.
  • Analise de forma crítica questões e práticas de políticas em educação em contexto local.

Tema 1 - Do desenvolvimento à intervenção educativa em contexto local

O termo “desenvolvimento”, na literatura das ciências sociais, caracteriza-se por ser polissémico, sobretudo quando se pretende distinguir desenvolvimento e crescimento económico. Contudo, o desenvolvimento local pode ser encarado como o conceito da participação da própria comunidade, sendo as pessoas os recursos locais mais importantes.
«(...) o desenvolvimento local é, antes de mais, uma vontade comum de melhorar o quotidiano; essa vontade é feita de confiança nos recursos próprios e na capacidade de os combinar de forma racional para a construção de um melhor futuro. É aquilo a que se chama frequentemente a "cultura de desenvolvimento": a situação atingida por uma população ao sentir-se e ao capacitar-se para analisar os problemas atuais, para pôr em equação necessidades e recursos, para conceber projetos de melhoria integrando as dimensões de espaço e de tempo e para, enfim, abranger com esses projetos finalidades de desenvolvimento global-pessoa como coletivo-económico, cultural, sociopolítico» (Alberto de Melo e Priscila Soares, 1994 in Canário, 1999).
O conceito de “Desenvolvimento Local”, segundo autores das ciências sociais, começou a ganhar relevância no debate sobre os modelos de desenvolvimento, particularmente após o reconhecimento do fenómeno da globalização. Os mesmos autores consideram que é um dado adquirido constatar que qualquer conceção sobre o desenvolvimento local deve ter em conta, no mínimo, duas perspetivas, sendo o Desenvolvimento Local (DL) um processo de transformação social e um projeto político-estratégico, ao mesmo tempo.
Para Villar (2004) o conceito é uma estratégia de desenvolvimento que assenta na participação coletiva e na parceria entre iniciativa da cidadania organizada e programas públicos, integrando áreas dispersas e buscando articulações entre diversas ações já existentes na comunidade. Portanto, debruçar-se sobre o “desenvolvimento local”, com os olhos postos num território concreto, é um novo modo de promover o desenvolvimento, que possibilita o surgimento de comunidades mais sustentáveis, capazes de suprir as suas necessidades imediatas, descobrir ou despertar vocações locais e desenvolver suas potencialidades específicas e fomentar o intercâmbio externo, aproveitando-se das suas vantagens locais.
Por outro lado, o desenvolvimento local, enquanto transformação social, acontece de acordo com o contexto social, económico, tecnológico e em função dos atores, direta e indiretamente envolvidos no processo, nomeadamente públicos, privados, locais e globais. Além disso, o desenvolvimento, enquanto projeto político, nasce com a modernidade e expande-se graças às conceções universalistas do projeto moderno, nomeadamente os modelos de Estado, de Nação, de articulação entre o público e o privado, da cooperação internacional e de gestão das relações económicas. Ao pretender ser universal, o desenvolvimento e as suas variações tendem a menosprezar os contextos geográficos, os tempos históricos e a diversidade das culturas (Sachs, 2000:72).
Na lógica de Sachs, o DL aparece como resposta alternativa à falsa universalidade das fórmulas do desenvolvimento, veiculadas pela cooperação internacional e suas agências. Na sua opinião, o DL é endógeno, territorial e culturalmente enraizado; é projeto-político bem como construção de estratégias de transformação social a partir dos recursos e dos atores mobilizados no contexto local.
Do ponto de vista empírico e analítico, o DL difere segundo a perceção dos atores, o contexto, as várias expressões da cultura, que informam e influenciam o modo de organização desses atores relativamente ao contexto em que se inserem (Paula, 2008:8-9).
Desta forma, o conceito de desenvolvimento local representa uma estratégia que deve garantir para o território em questão – seja comunidade, município ou microrregião – uma melhoria das condições socioeconómicas a médio e longo prazo. De caráter, fundamentalmente endógeno, este conceito procura um processo sustentável de aproveitamento das oportunidades e capacidades locais, pressupondo a participação de todos os atores sociais e económicos, públicos e privados.
Assim sendo, o Desenvolvimento local é fundamento pela necessidade de existir pessoas nos seus territórios com capacidade de iniciativa e proposta socioeconómica para tirar proveito das potencialidades locais, apostando numa melhoria da qualidade de vida da população.
Portanto, a participação local significa dar às pessoas maiores oportunidades de participação efetiva, nas atividades de desenvolvimento. Isto significa proporcionar condições para que elas mobilizem seu próprio potencial, sejam agentes sociais em vez de sujeitos passivos, gerenciem os seus recursos, tomem decisões e controlem as atividades que afetam suas vidas. Assim, a abordagem participativa envolve as pessoas no processo do seu próprio desenvolvimento.


Referências Bibliográficas
Abramovay, Ricardo. A formação do capital social para o desenvolvimento sustentável. São Luiz,1998.
Canário, R. (1999). Educação de Adultos: um campo e uma problemática. Lisboa: Educa
Paula, Juarez de. (2008). Desenvolvimento local: como fazer? Brasília: SEBRAE.
Sachs, Ignacy. (2000). Dicionário do desenvolvimento: guia para o conhecimento como poder. Petrópolis: Vozes. (Original em inglês, publicado em 1992). 
Villar, R. (2004). Orientações estratégicas para a promoção do desenvolvimento de base. Bogotá: Rede América.



Solidariedade
O desenvolvimento local precisa de assentar na solidariedade, na medida em que presenciamos sucessivas ruturas na relação do indivíduo com a sociedade. Ruturas estas que se verificam no mercado de trabalho, levando subsequentemente a uma rutura familiar e afetiva, culminando com a rutura do laço social.
Assim, a solidariedade reveste-se de extrema importância, pois quando as pessoas se deparam com dificuldades recorrem às relações de vizinhança e de proximidade, bem como à entreajuda. Se por um lado, estas dificuldades levam a uma diminuição dos níveis de densidade social, por outro lado contribuem para a coesão local, reativando desta forma a solidariedade primária e as cadeias de auxílio mútuo, onde os conflitos latentes são colocados de parte.
Para evitar as situações de rutura acima mencionadas é necessário fomentar um trabalho que assente na transformação dos "outros". Este processo passará por ministrar formação aos indivíduos de forma a que seja possível promover o emprego e o empreendorismo. Pois, muitas vezes os sujeitos são os responsáveis pela sua própria vulneralidade social, aproximando-se muitas vezes da exclusão, devido à falta de competências quer literárias quer profissionais.
Assim, segundo Amiguinho (2005), o desenvolvimento local deverá ser feito através da promoção de várias atividades como: atividades de bricolage; atividades de muito compromisso social; implicação progressiva e participação; parcerias e efeitos de sinergia; criação e gestão partilhada de capacidades e de recursos; promoção da cidadania; contextualização territorial; e auto-organização. Nesta perspetiva, Reis, (1998b, cit. por Amiguinho, 2005:15) considera o desenvolvimento local como "um impulso generoso, de carácter local e endógeno, assente na mobilização voluntária, cujo objetivo é originar ações com as quais se produzem sinergias entre agentes, tendo em vista qualificar os meios de vida e assegurar bem-estar social".
Consequentemente, a escola é, muitas vezes, particularmente em meio rural, o serviço que resta depois de todos os outros terem desaparecido ou sido suprimidos pelo Estado. Assim, a relocalização da educação e da escola tem em vista mais a defesa e a promoção de uma "lógica de desenvolvimento local" do que uma "lógica comunitária".
A partir da escola, identificam-se necessidades e potencialidades, mesmo no desfavor, diagnosticando a vida e os problemas da aldeia.
Os pontos de apoio, para o desenvolvimento e concretização desta lógica, podem ser:

  • a "promoção dos valores e das comunidades locais", pelos contributos das crianças na escrituralização das culturas locais;
  • a "reconstrução das identidades locais" por uma aliança estratégica entre crianças e idosos
  • a participação da escola, em parcerias, para o equacionamento, visibilização e a solução de problemas locais.
Nesta sentido, Canário (1999), citado por Quintas (2008), refere que o desenvolvimento local é uma das modalidades, de práticas educativas de educação e formação de adultos.
Por sua vez, Guerra (2000:120) refere que a metodologia participativa de projeto é exemplo de uma prática que conduz ao desenvolvimento local, pois apresenta "significado face a processos de intervenção social".
Segundo Barros & Moreira (2013), a educação de adultos, devido às suas potencialidades, isto é, devido ao seu carater interventivo, no que respeita ao desenvolvimento de competências/conhecimentos ecológicos/sustentáveis, de promoção da democracia, da justiça e da equidade e, científicos, sociais e culturais, conduz ao desenvolvimento local. Para os autores, o DL corresponde a uma aprendizagem coletiva, isto é, a processo educativo, porque a educação é um eixo estruturante no processo de desenvolvimento de uma sociedade.
Já Monteiro (2011), citado por Barros & Moreira (2013), refere que o DL "resulta da participação da comunidade no processo de desenvolvimento, pela responsabilização coletiva e consciencialização" (2013:70).
Desta forma, os autores, ainda referem que quando há participação coletiva ativa e efetiva, ocorre uma mudança nessa sociedade, que conduz a uma transformação social.
Atualmente, devido aos desafios da sociedade, as práticas de EA abrangem múltiplos domínios e desenvolvem-se em múltiplos contextos (formal, informal e não-formal). Segundo Requejo Osório (2003), citado por Barros & Moreira (2013:68), as práticas de EA ao nível da educação informal e não formal, incluem os seguintes domínios: cívico-política; formação profissional; educação familiar; educação para a saúde (bem-estar físico e mental); educação para o associativismo, cooperação e solidariedade; educação para os media; educação para o ambiente; educação artística; gerontologia educativa; entre outros.
Desta forma, podemos dizer que o DL está relacionado com a EA, pois a “participação da comunidade” só é possível se os cidadãos forem educados ao nível de alguns domínios supramencionados, tais como: cívico-política (ao nível da democracia); formação profissional (ao nível do aumento da produtividade e desenvolvimento da economia local); educação para o associativismo, cooperação e solidariedade (empreendedorismo, voluntariado, …); educação para o ambiente (práticas de separação de resíduos, não exploração abusiva de recursos naturais locais, …).
Desta forma, é no formar e educar para o desenvolvimento que se precisa de todos, enquanto agentes de desenvolvimento local, como "pedagogos" da formação e orientação da comunidade/espaço/território. Ora, nesse sentido, formação e educação interagem e complementam-se: a primeira decifrando e incorporando valores e sentidos de determinada realidade e, a segunda tornando possível aos indivíduos dessa comunidade traduzir de facto esses valores e sentidos para o seu desenvolvimento físico, intelectual, moral e social. Ou seja, educação supõe formação como fundamento e formação precisa de educação para se concretizar na dinâmica existencial, individual e coletiva dos indivíduos (Ávila, 2000:63).
A educação não formal e informal, "abre os horizontes e espaços educativos". Atualmente, sabemos que não são só as escolas que transmitem conhecimentos e que desenvolvem competências. Desta forma, são necessárias novas adaptações tanto nas estruturas e contextos educativos, quer nas orientações (curriculares/programáticas), como os atores e as práticas pedagógicas (métodos e técnicas pedagógicas, bem como a avaliação das aprendizagens), entre outras, isto é, a construção de um novo modelo educacional.
Na última década, foi necessário criar novos contextos educativos e encontrar novos "atores" que pudessem dar resposta à Educação de Adultos/ALV. Como refere Loureiro (2012), em Portugal "há um conjunto cada vez mais considerável de novos contextos educativos (associações de desenvolvimento local, associações culturais, Instituições Particulares de Solidariedade Social, fundações, centros de formação, entre outros) e atores (formadores, profissionais de Reconhecimento e Validação de Competências, diretores e coordenadores de Centros Novas Oportunidades, mediadores de cursos EFA, entre outros)".

Referências Bibliográficas
Amiguinho, A. (2005). Educação em meio rural e desenvolvimento local. Universidade do Minho, Revista Portuguesa de Educação, 18(2).
Ávila, V.F. (2000). Pressupostos para a formação educacional em desenvolvimento local. Interações: Revista Internacional de Desenvolvimento Local , pp 63-75. Campo-Grande. MS: UCDB.
Barros, R.& Moreira, J. (2013). Bem estar subjetivo e Educação de Adultos. Santo Tirso: Whitebooks.
Guerra, I. (2000). Fundamentos e Processos de uma sociologia de ação - O planeamento em Ciências Sociais. Cascais: Principia.
Loureiro, A.(2012). "Novos" territórios e agentes educativos em sociologia da educação: o caso da educação de adultos. Rev. Lusófona de Educação [online]. n.20, pp. 123-139. Disponível em: http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-72502012000100009&lng=pt&nrm=iso>.
Quintas, H. (2008). Educação de Adultos: vida no currículo e currículo na vida. Lisboa: ANQ


Dinâmicas de Desenvolvimento
CLAs
Os (CLAs) Centros Locais de Aprendizagem são núcleos vocacionados para a promoção de atividades orientadas pelos princípios da Aprendizagem ao Longo da Vida, resultando da criação de parcerias entre a Universidade Aberta e a sociedade civil, procurando desenvolver uma intervenção, em termos culturais e educativos, enquadrada nas dinâmicas locais e de acordo com as especificidades da respetiva área de influência.
Pretendendo favorecer o acesso de amplos setores populacionais à Sociedade da Informação e do Conhecimento, a sua ação privilegia a aquisição de competências no uso das Tecnologias Digitais, bem como o desenvolvimento de outras competências - académicas, profissionais, culturais e cívicas - em diferentes áreas.
Neste sentido, dinamizam ações educativas de âmbito formal, não-formal e informal, com vista à oferta de oportunidades de aprendizagem às populações que, por circunstâncias geográficas, são particularmente suscetíveis de exclusão.
Cabe ainda aos Centros Locais de Aprendizagem facultar o suporte logístico e instrumental aos estudantes residentes na respetiva área de intervenção, assim como a responsabilidade de coordenação e organização do processo de avaliação presencial.
A divulgação da oferta educativa da Universidade Aberta e da especificidade do seu sistema de ensino-aprendizagem faz parte das funções atribuídas aos Centros Locais de Aprendizagem.

ELO
A ELO é uma unidade móvel de investigação vocacionada para promover, coordenar e desenvolver investigação-ação no âmbito das problemáticas do local, em estreita articulação com a rede dos Centros Locais de Aprendizagem (CLA).
Ao longo dos seus anos de existência, a UMCLA percorreu um itinerário que a fez expandir-se por novas dimensões, nomeadamente a de cumprir uma das funções primordiais das instituições universitárias: produzir e disseminar conhecimento. Para tanto, foi criada uma estrutura com a feição adequada – a unidade móvel de Estudos do Local e delineado um projeto institucional de investigação/ação de desenvolvimento da rede CLA, que se executa desde janeiro de 2012.
A ELO funciona, também, como uma plataforma que estabelece parcerias com as unidades de investigação internas e externas que se proponham desenvolver projetos conjuntos que identifiquem como objeto de estudo preferencial as áreas territoriais de inserção dos Centros Locais de Aprendizagem da Universidade Aberta. Para tanto, está em fase de criação com as câmaras e entidades da cultura parceiras da UAb uma rede temática em Estudos do Local. Com esta convergência de sinergias pretende-se criar as condições para concorrer a concursos nacionais e internacionais.
Não obstante, a crescente competitividade assente no conhecimento e nas preocupações com a empregabilidade leva à indispensabilidade de Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV) e à procura de formação por parte dos cidadãos. É necessário transformar a ALV numa estratégia operativa, orientada para a diversificação das vias de qualificação dos cidadãos, sem esquecer a importância da aquisição de saberes fundamentais em contextos profissionais.
Neste sentido, torna-se urgente definir uma estratégia de educação e formação de caráter preventivo e de longo prazo, que se caracterize pela diversidade e complementaridade das ofertas e dos instrumentos de intervenção, salvaguardando a possibilidade de realização de percursos formativos de curta, média e longa duração, dotados de flexibilidade e intercomunicabilidade
As mudanças necessárias no domínio da Educação exigem a integração de esforços de diferentes grupos sociais, que conduzam à identificação de novas vias de aprendizagem:

  • É necessário fomentar profundas mudanças na Educação de Pessoas Adultas, sendo prioritária a intervenção enquadrada nas dinâmicas locais e orientada para a aquisição de competências no uso das Tecnologias Digitais.
  • É fundamental diversificar as vias de comunicação entre os estudantes, os potenciais estudantes e a UAb, dando particular ênfase ao uso das TIC e da Internet nos processos de comunicação e aprendizagem.
  • Os CLA devem contribuir para a divulgação e concretização do projeto educativo da UAb, otimizando sinergias educativas e culturais.

Webgrafia
http://www.uab.pt/web/guest/organizacao/servicos/servicos-desconcentrados/cla
http://www.uab.pt/web/guest/organizacao/umcla/elo/missao


Tema 2 - Educação para a Cidadania

O conceito de "Educação para a Cidadania" varia segundo uma escala que se estende desde a informação cívica até ao desenvolvimento de capacidades interventivas. Esta diversidade traduz tanto a complexidade do universo conceptual da Educação para a Cidadania como resulta também de desafios e tensões positivas na formação de carácter humano (Pureza,  2001:21)
Atualmente existe uma preocupação educativa que aponta para uma tensão entre a formação ética e cívica. Contudo, nesta relação é necessário considerar que a educação cívica não corresponde à formação moral, isto porque «nem todas as exigências cívicas são exigências morais, nem o mundo moral acaba na dimensão cívica do homem» (Martín, 1990 cit. Pureza, idem).
Assim, podemos referir que estamos diante de dois domínios parcialmente sobrepostos e não perante duas áreas distintas. Pois, educar para a cidadania implica que exista uma tensão entre ética e política, sendo indispensável despertar os indivíduos para o cumprimento das normas e alertá-los para a pressão dos factos. Ou seja, há uma necessidade de informação moral e informação cívica, mas existe também necessidade de formação cívica e de educação para os valores. No entanto, esta formação exige, não só teorias fundamentadoras mas também estratégias de operacionalidade dessas teorias, designadas por modalidades de formação, as quais devem ser do conhecimento dos intervenientes neste campo do saber.

Referências Bibliográficas
Pureza J. M. (2001). Educação para a Cidadania: Cursos Gerais e Cursos Tecnológicos – 2. Edição: Ministério da Educação.


Participação democrática
Educação cívica e práticas de cidadania

A Educação tem como objetivo fazer com que as pessoas adiram a valores comuns preparados no passado e não apenas reunir os indivíduos. Esta deve «responder à questão: viver juntos, com que finalidades, para fazer o quê? e dar a cada um, ao longo de toda a vida, a capacidade de participar, ativamente, num projeto de sociedade (Delors, 1996:60).
Assim, o sistema educativo tem como missão preparar cada indivíduo para um papel social, onde este assume as suas responsabilidades como membro da coletividade em relação aos outros.
Consequentemente, a participação de cada indivíduo na sociedade deve ser preparada com base na apresentação dos seus direitos e deveres, no sentido de desenvolver as suas competências sociais e estimular o trabalho em equipa. Esta participação ativa, por sua vez, tornou-se para a educação uma missão, uma vez que os princípios democráticos se expandiram pelo mundo.
Desta forma, a primeira intervenção é feita numa primeira instância pela escola básica, onde o objetivo é apenas a aprendizagem do exercício do papel social, em função de códigos estabelecidos, assumindo assim a responsabilidade de uma instrução cívica concebida como uma "alfabetização política”.
No entanto, esta instrução não pode ser descorada e considerada uma matéria como tantas outras. Pois, não se trata de ensinar códigos rígidos ou preceitos como de doutrinas se tratasse, mas sim, de fazer da escola um modelo de prática democrática que oriente os indivíduos a compreender os seus direitos e deveres a partir de problemas concretos, bem como o exercício da sua liberdade que é limitada pela liberdade dos outros.
Por outro lado, a educação para a cidadania e democracia não se limita ao espaço e tempo da educação formal, sendo assim preciso implicar diretamente nela as famílias e os outros membros da comunidade.
Porém, podemos referir que desde sempre as sociedades estiveram expostas a conflitos que colocaram em perigo a sua coesão, pondo em risco os projetos coletivos. Assim, atualmente, temos que dar importância a um conjunto de fenómenos que ameaçaram essa coesão e contribuíram para a crise aguda nas relações sociais.
Consequentemente, uma primeira situação pretende-se com o agravamento das desigualdades, estando ligado ao aumento da pobreza e da exclusão. Estas tratam-se de fraturas profundas entre grupos sociais, quer no interior dos países desenvolvidos quer nos países em desenvolvimento.
Nesta perspetiva, «a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social realizada em Copenhague de 6 a 12 de março de 1995 traçou um quadro alarmante da situação social atual, recordando em particular que no mundo, mais de um bilhão de seres humanos vivem numa pobreza abjeta, passando a maior parte deles fome todos os dias, e que mais de 120 milhões de pessoas no mundo estão oficialmente no desemprego e muitas mais ainda no subemprego» (Delors, 1996:52).
Por outro lado, as migrações, o êxodo rural, o desmembramento das famílias, a urbanização desordenada e a rutura das solidariedades tradicionais de vizinhança, lançaram muitos grupos e indivíduos para o isolamento e para a marginalização. Ora, a crise social associa-se à crise moral, vindo assim acompanhada do desenvolvimento da violência e da criminalidade.
Desta forma, os valores integradores são descorados, pondo em causa os conceitos de nação e de democracia que são os fundamentos da coesão das sociedades modernas.
Face a esta situação, há que reinventar o ideal democrático ou, pelo menos, dar-lhe nova vida.

Referências Bibliográficas 
Delors J. et. al. (1996). Educação um Tesouro a Descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Unesco/Edições ASA.


O Papel da Escola

A escola sempre teve um forte impacto na democratização social e continuamente se esperou que esta ajudasse nesta tarefa. Pois, o sistema educativo acolhe todas as crianças de todos os grupos sociais, tendo a escola que lhes dar: «instrução, educação, socialização, qualificações e títulos escolares» (Silva, s.d.:159).
No entanto, percebeu-se desde muito cedo que as crianças chegavam à entrada do sistema escolar com muitas desigualdades e diferenças entre elas, não sendo suficiente uma plataforma de promoção de democratização social igual para todos. Assim, houve a necessidade de uma diferenciação pedagógica para que fosse possível democratizar e sociabilizar de forma mais eficiente.
Nesta perspetiva, toda a organização curricular da educação escolar deverá ser orientada para a formação integral do indivíduo e para a vivência da cidadania.
Por sua vez, o Ensino Secundário deve assumir um papel determinante na Educação para a Cidadania dos seus alunos, ao sensibilizar os jovens para as suas responsabilidades e os seus deveres como cidadãos, ao fomentar atitudes de tomada de decisão democrática, tanto no interior como no exterior da escola, ao promover uma dimensão europeia respeitadora das identidades nacionais e regionais, bem como das minorias, num contexto mundial, e ao transmitir valores comuns de respeito pelos direitos humanos(1).
Assim, podemos dizer que educar para a cidadania “é o conjunto de práticas e atividades cuja finalidade é tornar os jovens e adultos mais bem preparados para participar ativamente na vida democrática através da assunção do exercício dos seus direitos e responsabilidades sociais”. No entanto, esta distingue-se da educação cívica, na medida em que esta consiste na "transmissão/aquisição num quadro educativo formal, do conhecimento, das capacidades e dos valores que governam o funcionamento, a todos os níveis, de uma sociedade democrática” (Birzea, 1996).
A educação tem tido a preocupação de se definir e justificar socialmente, dando assim ênfase à vertente da «preparação dos jovens para a vida ativa» (Silva, s.d.:181). Esta conceção vem contrariar a ideia de escola de costas voltadas para a vida em geral, todavia corre o risco de sobrevalorizar os conhecimentos e as competências em detrimento das atitudes e dos valores.
M. Zabalza (1992) cit. por Silva (s.d.:idem) assinala duas grandes funções que a instituição educativa "deveria desenvolver": 1. desenvolver a personalidade do sujeito (o que passaria por desenvolver ao máximo as capacidades dos alunos, dotá-los de instrumentos recursos necessários para assumirem um comportamento autónomo e responsável e serem capazes de enfrentar os problemas com flexibilidade e espírito inovador; 2. estabelecer os parâmetros de relação entre o sujeito e os outros (o que passaria pela aprendizagem de valores, normas e regras de conduta inerentes à inserção dos alunos numa cultura ou modo de pensar e agir de âmbito mais vasto, mas também pela apropriação de capacidades expressivas e comunicativas próprias dos processos que sustentam as relações interpessoais e sociais.
Estas características resumem as finalidades desejáveis de uma educação escolar, tendo como objetivo contribuir para a construção das identidades e dos projetos pessoais/sociais.

Referências Bibliográficas 
(1) Recomendação n°R (99) 2 do Comité dos Ministros dos Estados membros do Conselho da Europa relativa ao Ensino Secundário. 
Birzea , C (1996) Education for Democratic Cilizenshp. Consultating Meeeting .General Report.
Silva, A. et. al. (s.d). Valores e Cidadania: a Coesão Social, a Construção Identitária e o Diálogo Intercultural.


As principais fragilidades da cidadania na idade adulta.

A cidadania nas cidades-estado gregas consistia na participação na res publica (coisa pública) daqueles que tinham direitos como: tomar parte no debate público, dar forma às leis e às decisões de um Estado, participar no julgamento dos cidadãos e dos responsáveis.
Na modernidade, os ideais democráticos e igualitários veiculados por diferentes movimentos sociais foram progressivamente conduzindo ao alargamento dos poderes cívicos para além de uma classe de cidadãos instruídos e proprietários (Pureza 2001:20).
Porém, depois da consolidação dos Estados-nação da Europa e das Américas, a cidadania civil passou a enfatizar a reciprocidade entre direitos e deveres, bem como o respeito pela soberania da lei, sendo esta a condição necessária para a ordem democrática. Assim, a cidadania política adquirida em democracia, deve ajudar as pessoas a tornarem-se cidadãos ativos, intervenientes e responsáveis. Por outro lado, a cidadania social revela que a segurança, bem-estar e qualidade de vida devem ser garantidos numa primeira instância pelo Estado, mas providenciados também por grupos e organizações da sociedade civil.
Não obstante, atualmente vivemos num modelo de cidadania assente exclusivamente na correspondência entre limites soberanos de cada Estado e direitos de cidadania, tendo esta, por sua vez, de ser pensada, consagrada e praticada da escala local à escala global. Desta forma, «os cidadãos ativos são tão políticos como morais; a sensibilidade moral deriva em parte da compreensão política; e a apatia política resulta em apatia moral» (David Hargreaves in Pureza, 2001:21).
Consequentemente, uma das principais fragilidades da cidadania na idade adulta, está relacionada com este aumento da apatia política e da indiferença ideológica. Pois, muitos indivíduos deixaram de acreditar nos princípios fundamentais que caraterizam a Cidadania, abandonando a própria Identidade. Isto porque, o cidadão deixou de ter consciência de si mesmo como membro de uma comunidade com cultura democrática, implicando responsabilidades, com direitos e obrigações, no sentido do bem comum e da liberdade (Pureza, 2001:18). Este desinteresse acarreta graves consequências sociais, políticas e económicas, tais como: o absentismo eleitoral massivo, xenofobia, racismo, violência, intolerância, preconceito e até abusos de poder.
Porém, a cidadania é um elemento marcante de qualquer sociedade, tendo características próprias e encontrando-se em constante construção. Esta evolui através da conquista e ampliação dos direitos relativos a interesses coletivos e difusos, sendo assim modificada e ampliada através da história.
Desta forma, quando lemos o texto de Pureza temos a sensação que é atual, isto porque os princípios da cidadania continuam a ser os mesmos atualmente, apenas nos deparamos com a ampliação dos conceitos.
Por outro lado, se considerarmos a teoria da história cíclica, teremos aqui uma resposta a esta questão. Pois, esta teoria afirma que as forças humanas mais relevantes acabam por motivar a ação humana a seguir uma ciclicidade, sendo elas a religião, a política, a ciência, a filosofia, a curiosidade e a criatividade. Assim, teríamos um tempo cíclico sem começo nem fim, repousando numa permanente sequência de ciclos repetitivos. Isto significa que a história não comporta nenhum facto singular, pelo contrário é marcada pela reedição de acontecimentos passados, estando tudo condenado a girar eternamente na roda da história.
Neste sentido, quando analisamos a política, que foi a fragilidade que apontei no post anterior, vemos que em todas as épocas existe uma descredibilização da mesma e dos políticos. Pois, os cidadãos escolhem os seus representantes e aí exercem o seu direito de cidadania, mas quando estes ficam seus representantes, deixam de poder intervir, levando os indivíduos a deixar de acreditar em quem elegeram. Pois, o elemento político tem apenas o direito de participar no exercício do poder político, como um membro da autoridade política ou como eleitor de tais membros (MARSHALL, 1967:63).
Não obstante, a cidadania é um status concedido àqueles que são membros integrais de uma comunidade. [...] Compreende a lealdade de homens livres, imbuídos de direitos e protegidos por uma lei comum. O seu desenvolvimento é estimulado tanto pela luta para adquirir tais direitos quanto pelo gozo dos mesmos, uma vez adquiridos. (MARSHALL, 1967, 76 e 84). No entanto, apesar da cidadania se pautar pelo princípio de igualdade, a classe social leva à desigualdade social, sendo necessária, na medida que incentiva o esforço e determina a distribuição de poder. Porém, essa desigualdade não se pode tornar excessiva, pois todos os homens são iguais em status, embora não o sejam em poder.
Consequentemente, não basta a constituição de direitos e garantias, é necessário, também, que se apresente uma solução para concretização desses direitos, criando mecanismos de reivindicação. Pois, a cidadania deve ser garantida e exercitada, por isso mostra-se importante educar para a cidadania, possibilitando o acesso amplo e viável aos meios para o seu pleno exercício.
Vivemos a crise de um modelo de cidadania assente exclusivamente na correspondência entre limites soberanos de cada Estado e direitos de cidadania. Esta tem que ser hoje pensada, consagrada e praticada em horizontes de múltiplas pertenças e identidades, da escala local à escala global. Disso nos dá conta a vulgarização de expressões e conceitos como a "cidadania europeia" ou "cidadania global". Na educação para a cidadania cruzam-se, por isso, preocupações de formação individual e grupal, nacionais, europeias e globais, apelando a uma constante busca de equilíbrio entre os valores de proximidade e a responsabilização e participação de carácter não só transnacional como intergeracional. 
Ao assistir-se na atualidade a uma crise de cidadania, tal facto, deverá ser objeto de reflexão à escala planetária. É emergente que esta reflexão/ação tenha como raízes: o seio familiar, passando pela pré-escola, escola, a nível nacional, bem como na globalidade. Como tal, só desta forma, poderemos incutir valores éticos e morais na criança, desde precoce idade, transmitindo-lhe uma educação válida e positiva conduzindo à construção de uma verdadeira cidadania democrática. Esses valores são a tolerância, a solidariedade a honestidade entre outros.
Nesta era de globalização e de mobilidade humana, um número crescente de crianças imigrantes terá múltiplas pertenças e cidadanias, aspeto que contribuiu para a fragilidade da cidadania. Assim, a coexistência de cidadãos com dupla nacionalidade é um desafio não só importante e estimulante para a educação como também uma oportunidade de aprendizagem e aquisição de competências sociais de gestão de diversidade cultural e social.
Consequentemente, a educação para a cidadania fica com responsabilidades específicas junto destes cidadãos com dupla nacionalidade, devendo ajudá-los a exercer uma cidadania ativa. Isto porque, como refere Araújo (2008:12) a escola deve ter um papel importante na promoção de uma cidadania inclusiva, indo ao encontro das diferentes necessidades educativas dos cidadãos, respondendo com flexibilidade e desenvolvendo a riqueza do seu capital cultural múltiplo.
Neste sentido, a escola apresenta-se para os cidadãos imigrantes como um espaço de contacto e de integração na sociedade de acolhimento, bem como um instrumento de mobilidade social e de aquisição de competências interculturais, contribuindo para a coesão social. Todavia, para que a escola sirva de elo de ligação à sociedade de acolhimento, é necessário a criação dos meios que possibilitem a adequação da instituição escolar à realidade multicultural. Pois, caso não aconteça esta adaptação poderá existir um aumento da marginalização e um consequente aumento da criminalidade.
Porém, como menciona Araújo (2008:13) em Portugal, ao nível institucional, várias medidas têm sido promovidas para fazer face à diversidade cultural e linguística, nomeadamente no sistema escolar. A legislação atual na União Europeia visa assegurar que os filhos de imigrantes tenham acesso à educação nas mesmas condições que os nacionais de qualquer país membro da União. Também no que respeita à educação das crianças migrantes, o Conselho da Europa recomenda aos Estados dos países de imigração que facilitem o ensino da língua nacional e avancem no sentido de lhes permitir a aprendizagem da sua língua materna.
Assim, Callon, Lascoumes e Barthe defendem que a necessidade imperiosa de "democratizar a democracia" é sempre um horizonte inatingível a um trabalho inacabado, realçando que uma das fragilidades da democracia é a sua implementação acabar por produzir efeitos contrários aos propostos inicialmente. Neste contexto, Lima (2005:76) refere que «a democracia e a participação seriam tão indispensáveis à concretização de uma educação democrática quanto a educação democrática seria indispensável à realização da democracia e da participação»


Referências Bibliográficas 
Araújo, Sónia (2008). Contributos para uma Educação para a cidadaniaProfessores e Alunos em Contexto Intercultural. Teses 17. Lisboa: Acidi.
Lima, L. (2005). Cidadania e educação: adaptação ao mercado competitivo ou participação na democratização da democracia. Educação, Sociedade e Culturas, nº 23, 71-90.
MARSHALL, Thomas Humphrey. Cidadania, classe social e status. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.
Pureza J. M. (2001). Educação para a CidadaniaCursos Gerais e Cursos Tecnológicos – 2. Edição: Ministério da Educação



Tema 3 - Projetos educativos e desenvolvimento local: os CLA'S da Universidade Aberta

CLAs
Os Centros Locais de Aprendizagem são núcleos vocacionados para a promoção de atividades orientadas pelos princípios da Aprendizagem ao Longo da Vida. Estes resultam da criação de parcerias entre a Universidade Aberta e a sociedade civil, procurando desenvolver uma intervenção, em termos culturais e educativos, enquadrada nas dinâmicas locais e de acordo com as especificidades da respetiva área de influência.
A sua ação não só privilegia a aquisição de competências no uso das Tecnologias Digitais, como também o desenvolvimento de outras competências - académicas, profissionais, culturais e cívicas - em diferentes áreas. Assim, são dinamizadas ações educativas de âmbito formal, não-formal e informal, com vista a dar oportunidades de aprendizagem às populações que geograficamente estão desfavorecidas e propensas à exclusão.
Por sua vez, os Centros Locais de Aprendizagem são responsáveis: pelo suporte logístico e instrumental aos estudantes residentes na respetiva área de intervenção; pela coordenação e organização do processo de avaliação; e pela divulgação da oferta educativa da Universidade Aberta e da especificidade do seu sistema de ensino-aprendizagem presencial.

ELO
A ELO foi criada para concretizar uma das atribuições da UMCLA, concretamente a de promover o desenvolvimento de projetos de investigação em áreas prioritárias dos CLA., estando, assim, vocacionada para a realização de investigação-ação no âmbito das problemáticas do local, procurando congregar investigadores de diversas áreas do saber com vista à elaboração de estudos multi e transdisciplinares.
A ELO tem como objetivos gerais:
1. Contribuir para o desenvolvimento da investigação científica e do desenvolvimento local, através da realização de projetos de investigação-ação, coletivos ou individuais, em parceria com instituições e atores sociais locais.
2. Desenvolver investigação científica aplicada, numa perspetiva multi e transdisciplinar;
• Proporcionar um espaço para o diálogo e desenvolvimento de projetos entre investigadores das ciências sociais e humanas, ciências exatas e tecnológicas.
3. Apoiar a formação superior avançada dos coordenadores dos CLAs e dos estudantes da UAb.
4. Criar redes nacionais e internacionais de cooperação científica e tecnológica entre investigadores, universidades, centros de investigação e empresas;
5. Promover a publicação e edição de trabalhos científicos e a produção de conteúdos para os media digitais sobre as problemáticas do local.

Composição:
1. São membros efetivos da ELO os elementos da UMCLA, bem como os coordenadores dos Centros Locais de Aprendizagem.
2. A categoria de investigadores colaboradores será aplicada a: Professores da UAb que participem no programa de atividades da ELO; Professores de outras Instituições Universitárias que integrem as Unidades de Investigação com parcerias estabelecidas com a ELO (através da Reitoria da Universidade Aberta); Eventuais bolseiros de investigação recrutados nas diversas áreas científicas em que se projeta desenvolver pesquisas.
3. A categoria de investigador efetivo não implica o estabelecimento de um vínculo de pertença exclusiva à ELO que seja incompatível com a integração ou colaboração em outras unidades de Investigação.

Compete aos membros efetivos da ELO:
a) Promover o estabelecimento de parcerias entre a ELO (através dos órgãos competentes da Universidade Aberta) e Centros de Investigação, com vista a desenvolver projetos de pesquisa nas áreas territoriais dos Centros Locais de Aprendizagem ou sobre essas áreas.
b) Coordenar ou acompanhar os trabalhos dos projetos de investigação desenvolvidos no interior da ELO ou que resultem das parcerias enunciadas na alínea anterior.
c) Organizar pesquisa a ser concretizada pelos coordenadores dos CLA e por estudantes de Pós-Graduação da UAb, em áreas identificadas como prioritárias no Projeto de Desenvolvimento/Investigação, desde que estejam adequadas às competências científicas de cada membro.
d) Promover formações pós-graduadas com pertinência identitária para as autarquias onde estão sedeados os CLA.

Organização:
A ELO tem um coordenador responsável, designado pelo Reitor, de entre os seus membros efetivos.

UNIDADE MÓVEL DE INVESTIGAÇÃO EM ESTUDOS DO LOCAL
O Projeto de Desenvolvimento/Investigação dos Centros Locais da Universidade Aberta, 2012-2016, da unidade móvel de investigação em estudos do local, tem na sua génese um duplo objetivo que tende a concretizar-se nas duas características que o definem. É, antes de mais, um projeto de ação com vista a desenvolver e a consolidar os Centros Locais de Aprendizagem, núcleos que, a par das Delegações, integram os serviços desconcentrados da Universidade Aberta, previstos na sua estrutura orgânica e em funcionamento progressivo desde Setembro de 2008. Em simultâneo, trata-se de um projeto de investigação na área de Desenvolvimento local e societário porque a sistemática monitorização das iniciativas, práticas e áreas de intervenção dos CLA corresponde ao corpus da pesquisa a realizar.

Objetivos:
 - Consolidar canais de comunicação entre a rede dos CLA e os serviços centrais da UAb, privilegiando o apoio sólido e amplo aos estudantes e formandos, seja através da dinamização de ações de natureza científica, académica ou sociocultural, seja através da garantia de boas práticas de avaliação.
- Ampliar a rede de colaboração interinstitucional, de âmbito local e nacional, com vista ao alargamento da ação dos CLA e a uma maior proximidade das iniciativas dos CLA às necessidades locais.
- Desenvolver estratégias de planificação e dinamização de atividades de âmbito académico, científico e sociocultural, em estreita articulação com os Departamentos.
- Desenvolver dinâmicas orientadas para a promoção da Inclusão Digital, através da participação na Rede Ibérica de Observatórios para a Literacia e Inclusão Digital, entre outras.
- Criar dinâmicas orientadas para a Empregabilidade e Aprendizagem ao Longo da Vida, através do envolvimento direto dos Departamentos da UAb, da UALV e das organizações e atores locais.

Premissas:
Dando primazia às dinâmicas do local e da colaboração institucional, a vocação académica, científica e sociocultural da rede dos CLA exige a adoção de estratégias de planeamento típicas de sistemas abertos e complexos.
Fortemente condicionada pelas problemáticas e particularidades do desenvolvimento local e pela grande diversidade de atores que nelas participam, a rede dos CLA orienta-se por um conjunto de vetores estratégicos que privilegiam, para o horizonte temporal de 2012-2016, os seguintes âmbitos de ação: • Institucional • Interinstitucional • Académico • Cultural, Educativo e Social.
Um projeto de desenvolvimento de uma ampla rede, como é o caso dos CLA, e com a diversidade de parcerias e de âmbitos de ação que envolve, tem de ser perspetivado em períodos temporais de média duração. Por esta razão, entendemos que o projeto de incremento e aperfeiçoamento desta rede não deve ser dimensionado e programado para um horizonte temporal inferior a 4 anos.
Este projeto faz todo o sentido numa universidade virtual e global, pois a universidade virtual pode ser considerada um sistema mais avançado e interativo do que a universidade à distância. Sendo este modelo já desenvolvido por alguns estabelecimentos de ensino superior europeus, devendo proporcionar a aquisição de conhecimentos a todos os que, pelos motivos mais diversos, não possam ou não queiram concluir a sua aprendizagem e formação pelos sistemas tradicionais.
Assim, a universidade virtual deve constituir um complemento e um apoio para determinadas circunstâncias e pessoas, contudo nunca deverá passar a ser uma forma autónoma e única de ensinar e de aprender.
Refletindo, posso dizer que o meu trabalho está muito ligado ao desenvolvimento local, pois o IEFP tem como objetivo dar formação a um grupo de indivíduos que se encontrem em situação de desemprego e que tenham uma consequente necessidade de reorientação profissional. Contudo, uma grande maioria dos formandos já são desempregados de longa duração, estando dessa forma a receber o Rendimento Social de Inserção (RSI), sendo pessoas com muitas carências económicas, sociais e afetivas.
Assim sendo, a oferta pedagógica tem como objetivo melhorar os seus níveis de escolaridade e qualificação profissional, valorizando e promovendo uma cidadania ativa de inclusão social e profissional. Eu como formadora lido com esta realidade mas o meu papel não é muito interventivo, pois apenas me cabe dar a formação de Linguagem e Comunicação.

Webgrafia
http://www.uab.pt/web/guest/organizacao/servicos/servicos-desconcentrados/cla
https://www.uab.pt/web/guest/organizacao/umcla/elo/regulamento
https://www.uab.pt/web/guest/organizacao/umcla/elo/investigacao

II. Modelos e Políticas de Educação e Aprendizagem de Adultos



“O ato de escrever é mais complexo e mais demandante
do que o pensar sem escrever”